quinta-feira, fevereiro 28, 2013

2 de Março

Sábado dia 2 de Março vou à Manifestação aqui no Porto.

Descontentamento generalizado. Sem solução.


No dia 15 de Setembro fui à Manif em Lisboa.

Há 2 anos fui publicada no Público a propósito do protesto geração à rasca.



Nome: Ana Brütt
Idade: 28 anos
Localidade: Lisboa
Profissão: Arquitecta, desempregada, estudante
Trabalho desde 2004, nunca tive contrato, nunca fui despedida, estou desempregada (pela primeira vez) há seis meses. O meu primeiro trabalho foi um ano de estágio a ganhar 250 euros por mês (em Agosto tive férias, não trabalhei, não recebi). O meu segundo trabalho foi a ganhar 4,5 euros à hora. O meu terceiro trabalho: juntei-me com uns amigos e tentámos a nossa sorte, ao fim de cinco anos percebemos que não dava mesmo, dissolvemo-nos. O meu último trabalho foi horrível, trabalhava muito, ganhava mal e não tinha as condições para fazer um trabalho decente, morria por dentro devido à qualidade dos trabalhos que entregava, despedi-me (ganhava 900 euros por mês). Decidi voltar a estudar, tenho sorte, a minha mãe e o meu namorado ajudam-me. Estou à procura de um part-time.

Não acho que seja só uma geração à rasca, tenho familiares com mais de 50 anos, desempregados, em grandes dificuldades ou a recibos verdes (a receber muito mal). Acho que todos devem ir à rua.


O Miguel Sousa Tavares classificou de demagogos os Homens da Luta e os manifestantes de dia 12 de Março. Posso até concordar que os Homens da Luta o sejam (eles próprios assumem que falam a sério brincando), mas chateia-me que ponha tudo no mesmo saco. Chateia-me tanto como os miúdos que foram com um megafone interromper o discurso do Sócrates – para quê? Não me identifico com tal acção mas são livres de o fazer... e de serem expulsos (porque a liberdade acaba quando começa a liberdade dos outros).


Há um grande perigo em pertencer a grupos, as pessoas em grupo são limitadas, pensam pior e fazem quase sempre enormes disparates. Basta olhar para os clubes, os partidos e as religiões.... grupos de pessoas a fazerem disparates. Eu não pertenço a nenhum grupo.


É neste sentido que a manifestação de dia 12 tem tudo para correr mal, um grupo de jovens descontentes pode fazer imensos disparates. Mas mesmo assim eu vou, vou porque estou sempre a queixar-me, vou sempre votar e continuo a queixar-me, vou porque esta parece-me ser a oportunidade ideal para exercer democracia, para reunir pacificamente e causar impacto que chame a atenção aos nossos dirigentes.


Porque me chateia ligar a televisão na ARtv e assistir àquele espectáculo triste e ridículo de pessoas crescidas num bate-boca acesso, sem grandes argumentos na maior parte das vezes. Porque me chateia que a assembleia se tenha tornado num teatro e que os deputados se esqueçam que estão ali, porque foram eleitos por pessoas e que as deviam estar a representar.


Não vou para pedir a demissão de ninguém, nem a substituição da classe política, não vou à espera que resolvam os problemas todos de um dia para o outro, não vou à espera de arranjar um emprego naquele momento. Vou para causar impacto, para demonstrar o meu descontentamento, porque acredito que é a melhor forma de o fazer.


Mas não vai adiantar de nada!? Talvez, mas eu vou! Não quero ficar parada, não quero parecer conformada, não quero não fazer nada.

terça-feira, fevereiro 19, 2013

A violência de um acto

Praticado por uma pessoa conhecida, por um amigo, um pai, um marido, um irmão. Que escolhe voluntariamente terminar tudo. Nunca saberemos as suas razões, foram com ele. Mas é tão atroz esta decisão, tão definitiva, tão violenta, tão presente e tão dolorosa para os mais próximos que cá ficam. Só consigo imaginar a dor que estão a passar, só quero dar apoio, quero transmitir força, mas não há palavras que confortem. Espero que se apoiem uns aos outros e juntos ultrapassem este momento de maior dor.