terça-feira, junho 21, 2011

Fernando Pessoa

Ofelinha,

Agradeço a sua carta. Ela trouxe-me pena e alívio ao mesmo tempo. Pena, porque estas coisas fazem sempre pena; alívio, porque, na verdade, a única solução é essa - o não prolongarmos mais uma situação que não tem já a justificação do amor, nem de uma parte, nem de outra. Da minha, ao menos, fica uma estima profunda, uma amizade inalterável. Não me nega a Ofelinha outro tanto, não é verdade?

Nem a Ofelinha, nem eu, temos culpa nisso. Só o Destino terá culpa, se o Destino fosse gente, a quem culpas se atribuíssem.
O Tempo, que envelhece as faces e os cabelos, envelhece também, mas mais depressa ainda, as afeições violentas. A maioria da gente, porque é estúpida, consegue não dar por isso, e julga que ainda ama porque contraiu o hábito de se sentir a amar. Se assim não fosse, não havia gente feliz no mundo. As criaturas superiores, porém, são privadas da possibilidade desta ilusão, porque nem podem crer que o amor dure, nem, quando o sentem acabado, se enganam tomando por ele a estima ou a gratidão, que ele deixou.

Estas coisas fazem sofrer, mas o sofrimento passa. Se a vida, que é tudo, passa por fim, como não hão-de passar o amor e a dor, e todas as mais coisas, que não são mais que partes da vida?

Na sua carta é injusta para comigo, mas compreendo e desculpo; decerto a escreveu com irritação, talvez mesmo com mágoa, mas a maioria da gente -homens ou mulheres- escreveria, no seu caso, num tom ainda mais acerbo, e em termos ainda mais injustos. Mas a Ofelinha tem um feitio óptimo, e mesmo a sua irritação não consegue ter maldade. Quando casar, se não tiver a felicidade que merece, por certo que não será sua culpa.
Quanto a mim...
O amor passou. Mas conservo-lhe uma afeição inalterável, e não esquecerei nunca -nunca, creia- nem a sua figurinha engraçada e os seus modos de pequenina, nem a sua ternura, a sua dedicação, a sua índole amorável. Pode ser que me engane, e que estas qualidades que lhe atribuo, fossem uma ilusão minha; mas nem creio que fosse, nem, a terem sido, seria desprimor a mim que lhas atribuísse.

Não sei o quer que lhe devolva -cartas ou o que mais. Eu preferia não lhe devolver nada, e conservar as suas cartinhas como memória viva de um passado morto, como todos os passados; como alguma coisa de comovedor numa vida, como a minha, em que o progresso nos anos é par do progresso na infelicidade e na desilusão.

Peço que não faça como a gente vulgar, que é sempre reles; que não me volte a cara quando passe por si, nem tenha de mim uma recordação em que entre o rancor.

Fiquemos, um perante o outro, como dois conhecidos desde a infância, que se amaram um pouco quando meninos, e embora na vida adulta sigam outras feições e outros caminhos, conservam sempre, num escaninho da alma, a memória profunda do seu amor antigo e inútil.

Que isto de 'outras afeições' e de 'outros caminhos' é consigo, Ofelinha, e não comigo. O meu destino pretence a outra Lei, de cuja existência Ofelinha nem sabe, e está subordinado cada vez mais à obediência a Mestres que não permitem nem perdoam.
Não é necessário que compreenda isto. Basta que me conserve com carinho na sua lembrança, como eu, inalteravelmente, a conservarei na minha.

Fernando
29/11/1920

lutar contra a vontade

Resisto à minha vontade constante de te ligar, resisto à minha vontade constante de chorar, resisto à minha vontade constante de voltar atrás, resisto à minha vontade constante de desistir, de nada fazer, de me deixar ir...

Ainda por cima nestas circusntâncias, não gosto de estar assim, sofro por pensar que também podes estar a sofrer como eu.... não queria que isto acabasse assim, estou atrofiada à séria.

Não consigo escrever mais, estou agoniada, às vezes acho que vou vomitar!

segunda-feira, junho 20, 2011

http://youtu.be/ijZRCIrTgQc

Tenho de escrever

Não sei como atenuar isto, preciso de escrever, sinto-me cada vez mais vazia. Todos os pequenos gestos me relembram esta terrível situação.

Eu não fiquei só sem ti, fiquei sem lar, sem casa, sem um sítio meu, onde me sinta confortável, segura, em paz. Fiquei sem o meu amor, o meu amante, o meu amigo, o meu confidente.

Estou agoniada, enojada, triste, infeliz, desesperada. Só consigo chorar.

domingo, junho 19, 2011

dor

Já não sentia assim dor há muito tempo. Sofrê-la, doê-la até ao fim, é o meu objectivo para que passe... mas desconfio que vai demorar muito tempo.

Porque é que somos tão exigentes uns com os outros, porque é que não nos bastamos, porque é que queremos mais... e depois, tomadas as decisões, porque é que dói tanto?

Faríamos 4 anos amanhã!

Mas acabámos hoje. Não acabámos por algum de nós ter feito um enorme disparate, nem acabámos por simplesmente termos deixado de gostar um do outro. Esta tarde, para mim, foi bastante óbvio o quanto gostamos um do outro. No entanto gostar só, não chega. E se não houver capacidade para alterações profundas, uma relação com problemas não se resolve sozinha... e a nossa tinha problemas. Que se estavam a agravar com o tempo e isso notava-se na nossa interacção recente. O que antes era calmo, pensado, ponderado, relaxante e sereno... tornou-se impulsivo, agressivo, bruto, irascível e intolerante. Isso reflectiu-se em nós os dois e ditou este fim repentino.

O balanço destes 4 anos, para mim é extremamente positivo, nunca tinha tido uma relação tão duradoura, nunca tinha namorado com alguém que admirasse tanto e cuja admiração se mantivesse ao longo do namoro. Imaginava-nos velhinhos e ao lado um do outro. Teria filhos teus, sem pensar duas vezes...

Mas acabou e se escrevo é para racionalizar esta acção, para não estar constantemente num pranto inconsolável, para não morrer tantas vezes, durante tanto tempo. De nada me arrependo, só não foste perfeito, mas eu também não fui!

quarta-feira, junho 08, 2011

Capacidade que as pessoas mais próximas de nós têm de nos magoar

Deixei de fumar (sinto-me bem com isso, poderosa e "a maior"), completei com exercício físico (Yoga e bicicleta), mas mesmo assim, engordei 3kg. Tinha espaço para eles, até acho que me ficam bem. Decidi assumi-los como o mu novo peso e não como peso a mais.

Tenho 1.59m e 48kg!

Mas as pessoas mais próximas de mim não deixam, conseguem fazer-me sentir mal. E sugerem que estou gorda.... Pessoalmente acho uma ofensa para quem é gordo, eu agora simplesmente já não sou magra. Estou normal.

Os macaquinhos no sótão são tantos que fui ao site da roche...

A percentagem de massa gorda é de: 22 % (estimativa)
O seu Índice de Massa Corporal (IMC) é 19
A classificação deste IMC é : Normal.

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