terça-feira, agosto 29, 2006

15 dias

aaaaaaaaaahhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!

plottar desenhos, medir desenhos, cortar desenhos, colar desenhos ao cartão, cortar cartão, medir cartão, colar cartão, plottar desenhos, medir desenhos, colar desenhos....

mais 15 dias e expludo!

sábado, agosto 26, 2006

os burros não são cavalos

Os segredos não existem! As coisas só passam a ser reais no momento em que são contadas, partilhadas. Se contarmos um segredo, ele deixa de ser segredo. Portanto posso concluir que os segredos não existem. Viver um segredo, é como sonhar, não é real. E sonhar é bom, viver segredos também, viver fora da realidade, ter um mundo só meu, mesmo que nele existam outras pessoas, no fundo, porque é sonho ou segredo (ou o que quer que seja) ela só existem para concretizar esse sonho (nem interessa que elas pensem o mesmo), o importante é que nada disso é real, nada é definitivo, nem duradouro. Um dia posso simplesmente acordar!

Sonhar é muito melhor do que viver! Nisto concordo 100% com o Fernando Pessoa, porque as pessoas levam a realidade demasiado a sério, a vida tornou-se uma coisa quase má, quase obrigatória, com deveres e direitos... é esquisito, tentaram racionalizar a vida. E conseguiram de certa forma. Por isso é muito melhor viver a sonhar, ou sonhar a viver. Porque nada é certo, nem nada é real (nunca foi, sempre tentaram fazer-nos acreditar que sim, mas é mentira, apenas contribuiram para as desilusões e expectativas de milhões de pessoas no mundo). É possível disfrutar da vida como do sonho? Não, mas podemos sonhar a vida. É o que eu tento fazer.

A relação com o título... podem ser várias. Os burros não são cavalos, mas em sonhos, se eu quiser, são! Mas só em sonhos, que eu sei que não são reais. Mas afinal o que é a realidade e qual a vantagem em relação ao sonho? Nenhuma!

Portanto só posso concluir, os cavalos eram burros!

sábado, agosto 19, 2006

sábado, agosto 12, 2006

lost

Eu não quero saber qual é o caminho (certo e o errado), eu quero saber onde é o caminho.
Eu não quero saber como, eu quero saber o quê.
Eu não quero saber se devo, eu quero saber se posso.
Eu não quero saber quem, eu quero saber eu.

Mas será que quero?

Estou angustiada pelas decisões que tomei que me fazem sofrer. Mas se tomasse outras angustiava-me que não tivesse tomado estas. Sei qual é o caminho mais fácil, mas não me é permitido tomá-lo sabendo o que sei. Não que saiba mais do que os outros, isto não tem nada a ver com a inteligência. Mas com a consciência de ser consciente. Não é só pensar sobre os assuntos e tomar uma decisão. É saber que não posso tomar uma decisão hipócrita, porque não viveria bem comigo. Mas ao tomar outra (não-hipócrita) sofro por não ter tomado a outra. Porque viver intensamente não faz sentido, sentir intensamente é que faz. Então eu sinto por não poder viver! E seria tão mais fácil viver, tão mais inconsciente, eles são tão felizes.

Eu não sou nada.
Não posso nada.
Não há nada.
Não há caminhos.

sábado, agosto 05, 2006

consequências da leitura e de uma noite - modorra

Sou tantas coisas diferentes para tantas pessoas. Vêem-me de formas tão distintas. E, no entanto, não sei o que sou. Dizem-me "Conheço-te há imenso tempo, de ginjeira." ou "Tens de saber o que queres." "Não estás motivada." ...
Mas que mania de achar que há formas certas e erradas de viver a vida. Mas porque raio tenho eu de saber o que quero? Porque é que tenho de estar motivada? Em relação a quê? à vida? Mas ela não é motivante, é só a vida. Falam de mim como se me conhecessem as entranhas, mas essas são só minhas e não as partilho com ninguém.
Sim, gosto de ver os outros felizes, de os ver apaixonados, por outros, por acontecimentos ou situações, pelo seu trabalho, mas não me atrevo a passar pelo mesmo. Porque é que isso há-de ser errado?

Ambos tínhamos vontade que acontecesse, no entanto nenhum foi capaz de fazer o necessário para pôr em prática essa vontade. Nenhum se atreveu a colocar-se numa situação de vulnerabilidade em relação ao outro... e não aconteceu. Ambos sabíamos que ia ser assim, restava uma esperança que o outro se expusesse para que pudesse acontecer. Mas ninguém o fez e achamos normal, é normal.

Mas há uma forma certa de lidar com as pessoas? Não é mais inteligente resguardares-te e não te tornares vulnerável? Ninguém anda nu na rua! Porque é que a relação que tens com uma pessoa tem de ser uma constante e não pode apenas acontecer quando estou com ela? Os outros não têm de estar sempre nos meus pensamentos e mesmo que estejam, não têm de saber.

Porque é que não posso ser indiferente, apática, desmotivada, inactiva, incoerente? Porque é que não hei-de ser exactamente o que me apetecer, sem paixão, sem tomar decisões (antecipadas) em relação a coisas que estão para vir (ajo quando chegarem). Porque é que hei-de ser vulnerável?

Sou tantas coisas e não sou nada.

quinta-feira, agosto 03, 2006

excertos do livro do desassossego de bernardo soares

"Não querer é poder."

"Trausentes eternos por nós mesmos, não há paisagem senão o que somos. Nada possuímos, porque nem a nós possuímos. Nada temos porque nada somos. Que mãos estenderei para que universo? O universo não é meu: sou eu."

"Dois, três dias de semelhança de princípio de amor...

Tudo isto vale para o esteta pelas sensações que lhe causa. Avançar seria entrar no domínio onde começa o ciúme, o sofrimento, a excitação. Nesta antecâmara da emoção há toda a suavidade do amor sem a sua profundeza - um gozo leve, portanto, aroma vago de desejos, e, se com isto se perde a grandeza que há na tragédia do amor, repare-se que, para o esteta, as tragédias são coisas interessantes de observar, mas incómodas de sofrer. O próprio cultivo da imaginação é prejudicado pela vida. Reina quem não está entre os vulgares.
Afinal, isto bem me contentaria se eu conseguisse persuadir-me que esta teoria não é o que é, um complexo barulho que faço aos ouvidos da minha inteligência, quase para ela não perceber que, no fundo, não há senão a minha timidez, a minha incompetência para a vida."

"Assim organizar a nossa vida que ela seja para os outros um mistério, que quem melhor nos conheça, apenas nos desconheça de mais perto que os outros. Eu assim talhei a minha vida, quase que sem pensar nisso, mas tanta arte instintiva pus em fazê-lo que para mim próprio me tornei uma não de todo clara e nítida individualidade minha."

"Passo horas, às vezes, no Terreiro do Paço, a beira do rio, meditando em vão. A minha impaciência constantemente me quer arrancar desse sossego, e a minha inércia constantemente me detém nele. Medito, então, em uma modorra de físico, que se parece com a volúpia apenas como o sussurro de vento lembra vozes, na eterna insaciabilidade dos meus desejos vagos, na perene instabilidade das minhas ânsias impossíveis. Sofro, principalmente, do mal de poder sofrer. Falta-me qualquer coisa que não desejo e sofro por isso não ser propriamente sofrer."

"A vida desgosta-me como um remédio inútil. E é então que eu sinto com visões claras como seria fácil o afastamento deste tédio se eu tivesse a simples força de o querer deveras afastar."

"Se a nossa vida fosse um eterno estar-à-janela, se assim ficássemos, como um fumo parado, sempre, tendo sempre o mesmo momento de crespúsculo dolorindo a curva dos montes. Se assim ficássemos para além de sempre! Se ao menos, aquém da impossibilidade, assim pudéssemos quedar-nos, sem que cometêssemos uma acção, sem que os nossos lábios pálidos pecassem mais palavras!
Olha como vai escurecendo!... o sossego positivo de tudo enche-me de raiva, de qualquer coisa que é o travo no sabor da aspiração. Dói-me a alma... Um traço lento de fumo ergue-se e dispersa-se lá longe... Um tédio inquieto faz-me não pensar mais em ti....
Tão supérfluo tudo! Nós e o mundo e o mistério de ambos."

"Viver parece-me um erro metafísico da matéria, um descuido da inacção."






vidas medíocres... eu também não quero!