segunda-feira, julho 24, 2006

Excerto d' A Tabacaria de Álvaro de Campos

Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?),
E a realidade plausível cai de repente em cima de mim.
Semiergo-me enérgico, convencido, humano,
E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário.

Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los
E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
Sigo o fumo como uma rota própria,
E gozo, num momento sensitivo e competente,
A libertação de todas as especulações
E a consciência de que a metafísica é uma consequência de estar mal disposto.

Depois deito-me para trás na cadeira
E continuo fumando.
Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando.

domingo, julho 23, 2006

Crenças

Por muito que me custe admitir eu não acredito em compromissos para sempre. Eu não acredito que as pessoas sejam capazes de amar outra pessoa e aturá-la para todo o sempre. Claro que por um feliz acaso isso pode acontecer (raramente) durante uma vida, mas isto é excepção, não é regra. E não acontece por acaso existe um trabalho para isso e uma vontade mútua de 2 pessoas permanecerem juntas, até podem já nem se amar, mas gostam uma da outra e querem ficar juntas.
Acho que a maior parte das pessoas, principalmente da minha idade, ainda não percebeu isto e tem uma espécie de esperança/sonho em encontrar a sua outra cara metade. There's no such thing! Isto tem a ver com criar expectativas, com querer realizar sonhos, com planear o futuro quando nada se sabe dele... e enquanto fazem isto esquecem-se do agora, do presente, estão sempre a pensar no depois!
Ainda por cima é tudo tão assustadoramente egoísta. As relações (a maior parte delas) passam pelo ciúme, pelo sentimento de posse, pelo de obrigação em relação ao outro e de cobrança do sentimento anterior. Não gosto disso! Mas é o esperado por todos é o que a sociedade nos incute e é o que todos desejam. Eu não! Foi e está a ser difícil separar-me deste estigma, deste conceito, ainda estou a gerir os sentimentos e os impulsos, ainda me passam pela cabeça estes pensamentos, mas não os ponho em acção, reflicto-os e decido sobre eles.
Sou eu que decido a minha vida, não são os meus impulsos, não que não os tenha ou que os repudie sempre, mas sou eu que decido o que fazer com eles.

E relativamente a alguns acontecimentos recentes, percebi uma coisa, é preciso ter disponibilidade para amar e eu não tenho! Pelo menos agora não! Acho um sentimento demasiado hipócrita e egoísta, completamente camuflado, disfarçado do oposto.

Eu quero viver o agora, se me apetecer estar com alguém, estou. Se não, não estou. Não estou presa a ninguém, não espero nada de ninguém, nem ninguém espera nada de mim. Não há expectativas, não há desilusões. Não há planos, nem compromissos. Só actos e consequências.

sexta-feira, julho 14, 2006

Ai que calor!

Saudades do "barulho bravio das ondas que batem na beira do mar", saudades de sentir a areia entre os dedos, de sentir o sal na pele depois de um mergulho, de andar quase nua, de não fazer nada, de almoçar sandwiches na praia, de adormecer na toalha debaixo do guarda-sol, de acordar toda suada a cuspir areia... Este ano não vou poder matar estas saudades.

Está um calor horrível em Lisboa e eu tenho imenso trabalho pela frente, preciso de me organizar.

sexta-feira, julho 07, 2006

deslumbramento desvanecido

de volta à realidade... não houve desilusões, não havia expectativas, mas há defeitos que não dão para ignorar e a ignorância é um deles. Quer dizer... por um lado, somos todos ignorantes, mas não saber certas coisas é imperdoável... não é bem isto que eu quero dizer, porque não me pediram desculpa por não saberem... mas é impossível não ligar, não dar importância a isso... de facto, eu sou um bocado exigente, ou antes, como me considero bastante ignorante não admito dar-me com pessoas mais ignorantes do que eu... fará sentido?

a verdade é que me apercebi que por muitas qualidades que uma pessoa tenha, há defeitos que pura e simplesmente não pode ter, porque, para mim são insuportáveis. e a ignorância, pelo menos a este nível, é um deles.

time to move on, what's real is real!

segunda-feira, julho 03, 2006

72 dias

Para acabar o curso. Tenho de me concentrar, libertar a minha mente de pensamentos que extravazem a arquitectura, do stress, das pessoas, de distracções, de ideias malucas, de borgas desnecessárias...