sábado, março 26, 2005

entranhas II

alguém me espete 100 vezes uma faca no coração, tenho a certeza que dói menos do que isto...

quinta-feira, março 17, 2005

Cara valente

Não, ele não vai mais dobrar
Pode até se acostumar
Ele vai viver sozinho
Desaprendeu a dividir
Foi escolher o mau-me-quer
Entre o amor de uma mulher
E as certezas do caminho
Ele não pôde se entregar
E agora vai ter de pagar
Com o coração, olha lá
Ele não é feliz
Sempre diz
Que é do tipo cara valente
Mas veja só
A gente sabe
Esse humor é coisa de um rapaz
Que sem ter protecção
Foi se esconder atrás
Da cara de vilão
Então, não faz assim rapaz
Não bota esse cartaz
A gente não cai, não
Ê! Ê!
Ele não é de nada,
Oiá!!
Essa cara amarrada
É só
Um jeito de viver na pior
Ê! Ê!
Ele não é de nada
Oiá!!
Essa cara amarrada
É só
Um jeito de viver nesse mundo de mágoas!

Maria Rita

quarta-feira, março 09, 2005

e agora?

Criei uma barreira à minha volta, um muro quase intrasponível, para me proteger, para não me magoar. Quem entra nele tem tudo, não há desconfianças, cerimónias, dou-me totalmente. Mas ultimamente, quase inconscientemente, reforcei-o e só me apercebi disso, quando reparei, que nesse mundo já só estou eu. isolei-me deliberadamente, para não me magoar, para não ser rejeitada, para não me desiludir. de facto já não há ninguém que me atinja, de nenhuma maneira...

nostalgia

sonhei contigo, e isso despertou uma nostalgia dos momentos que passámos, da forma como encaixámos, da tua pele, da tua força, de nós. que fomos efémeros, curtos, temporários, idealistas, não começámos, nem acabámos, mas já fomos, apesar de nunca termos existido.

quinta-feira, março 03, 2005

esforço reconhecido

comprometi-me, empenhei-me, esforcei-me, dediquei-me, entrei de cabeça num projecto que não tinha, nem tem, garantias, apenas um grupo de pessoas que acreditam que juntas são capazes de fazer coisas incríveis. e tem tudo corrido tão bem que nós próprios mal acreditamos no que estamos a conseguir atingir e nos resultados que temos apresentado. Mas melhor do que nos apercebermos de que acabámos algo, que resultou e teve respostas positivas por parte de pessoas que não nos conheciam, mas gostaram do que viram. é dentro do grupo de pessoas com quem trabalhamos haver alguém (principalmente se fôr a pessoa que tu consideras mais distante de ti, mais fechada, mais fria, com maior espírito crítico, mais exigente) que vem ter contigo e te diz que sem ti não seria possível, reconhece o teu esforço, felicita-te pelo mesmo e reconhece a sua importância. aí finalmente senti-me verdadeiramente integrada, parte de um grupo que já existia, mas que precisava de agir mais para se consolidar e isso, penso eu, está a acontecer cada vez mais.

7 anos depois

a última vez que lá tinha estado foi há 7 anos, tinha eu 15 aninhos e saía pela primeira vez com o meu irmão, ia a um concerto de uma banda que conhecia há muito pouco tempo, sabia 2 talvez 3 músicas de cor, eram os primitive reason. o concerto foi na faculdade do meu irmão (na altura) e sentia-me quase crescida, passei a noite a beber cervejas com ele e com os amigos. lembro-me de estar a assistir ao concerto e reparar num rapaz que estava à frente, empoleirado nas grades, com o cabelo muito comprido, abanava-o violentamente enquanto cantava todas as músicas, que sabia de cor e salteado.

Passaram 7 anos, ninguém adivinharia o que se passou nesses 7 anos. o rapaz de cabelo comprido que vi no concerto é agora o meu melhor amigo e vive na holanda (vou ter com ele daqui a 2 meses). a banda, os primitive, chegaram a ser das minhas bandas preferidas, depois dissolveram-se, voltaram-se a juntar com pessoas diferentes e eu entretanto deixei de os considerar preferidos, deixei de acompanhar o seu percurso. o meu irmão deixou aquela faculdade está agora na minha a tirar o mesmo curso que eu, e juntámo-nos a grupo de amigos, formámos um grupo, kaputt!, e montámos, naquela sala onde foi o concerto há 7 anos, uma instalação, um projecto, fizémos uma performance, démos uma festa. alterámos a ideia que tínhamos daquela sala, daquele espaço, o técnico deixou de ser o técnico, passou a fazer parte, por momentos, do universo kaputt!. re-inventámos o espaço!

7 anos depois