sábado, janeiro 22, 2005

entranhas

É impressionante a capacidade que as pessoas de quem mais gostamos têm de nos magoar. E não estou a falar da família, nem sequer de amantes. Mas dos amigos do peito, aqueles que tens tanto cuidado em escolher que só tens um ou dois, aqueles a quem recorres, com quem contas e por quem largas tudo. Aqueles que sabem os teus segredos, as tuas primeiras experiências, as histórias que ainda te embaraçam, as tuas platónicas de há 500 anos, aqueles com quem partilhas tudo mais tarde ou mais cedo.
Nunca, jamais em tempo algum, me tinha sentido tão magoada, tão traída, tão violada, tão revoltada, tão angustiada... Sinto-me perdida, a minha confiança foi traída, não sei bem o que fazer, como reagir, o que mais dizer perante tanta indiferença, neste momento temos linguagens diferentes, não estamos a conseguir comunicar a sério, só sei que precisas de ajuda.

Dói-me o peito, tenho as entranhas num nó...

quarta-feira, janeiro 19, 2005

maior de idade

Hoje perguntaram-me se eu era maior de idade! Foi engraçado, soube-me bem, já há muito tempo que não faziam referência ao facto de eu parecer tão jovem. Não que não seja, sou pitinha, mas pareço ser mais do que sou, e há muito tempo que não estava num ambiente onde pudesse haver essa dúvida, na faculdade ninguém me pergunta se sou menor!

O tempo perguntou ao tempo quanto tempo o tempo tem, o tempo respondeu ao tempo, que o tempo, tem tanto tempo quanto o tempo tempo tem.

segunda-feira, janeiro 17, 2005

arquitectura e desilusão

O espaço parece assim ter-se tornado para a arquitectura uma espécie de museu esparso, onde a obra, pela sua própria presença, remete antes de mais para um acto já passado e para o comentário que, só ele, está em condições de fazer reviver a sua intenção: presença verbal. Antes de mais, o lugar privilegiado da arquitectura já não é a cidade, mas a revista de arte. O espaço simbólico que molda efectivamente segundo a sua intenção própria já não é o das cidades, subúrbios ou campos que os habitantes do mundo moderno quotidianamente frequentam, mas são as paredes dos estúdios ou dos ateliers que as imagens daí extraídas decoram, e, mais ainda, os jogos do lápis e do espírito, as utopias da imaginação arquitectónica que renunciou a cumprir-se na sua matéria própria: projectos e esboços, investigações e discursos, posters e cibernética de discoteca projectada à escala do mundo.

in Arquitectura e sociedade de Michel Freitag

olhar

Não parar para olhar, porque nada do que poderíamos ver se deteve por um instante em si próprio para ser um mistério e um segredo. E neste mundo, só paramos quando nos aborrecemos, só paramos para nos aborrecermos. Paramos para olhar para a televisão: nova figura fluida do mundo, espaço onde nada permanece fixo, desentediamento do tédio. Não nos detemos para fazer amor com esta pessoa que acabámos de conhecer, não disfrutamos dela, não paramos com ela: assim que os corpos deixam de estar em movimento, voltamos a aborrecer-nos, a espreitar a televisão; já não sabemos nem a cor dos olhos dessa pessoa. Os corpos já não são dinâmicos, estão embrutecidos.

quinta-feira, janeiro 13, 2005

vou ao teu encontro

Pois é, a viagem já está marcada, vou esta semana levantar o bilhete de avião, finalmente vou conhecer o teu outro mundo. O teu outro EU, a tua outra casa, os teus outros amigos, a tua outra cidade, o teu outro País. O teu outro meio, do qual ainda não faço parte, a minha existência aí resume-se a umas quantas folhas de papel escritas. Tenho imensa curiosidade de conhecer os teu amigos, o teu mundo, de me integrar, fazer parte dele, de deixar saudades, de querer voltar. Por mim ia já amanhã mas tenho de esperar mais uns dias, 106 para ser mais precisa, estou ansiosa que passem depressa.

turma, turma, não é?

Lá está, outra vez, a mesma voz monocórdica, a mesma expressão irritante, a mesma capacidade de parar o tempo. Como é possível esperar atenção, interesse e reciprocidade com este discurso. Não é motivante, não suscita interesse, não é possível ouvir, apreender, absorver o que quer que este ser tenta transmitir. É desesperante vir aqui, não volto!

quarta-feira, janeiro 12, 2005


sonhar Posted by Hello

sonhar

Estava convencida a reorganizar-me, a redefinir prioridades, a esquecer, a ultrapassar, a avançar...
Quem disse que sonhar era bom? Sonhar é confuso, os sonhos têm uma capacidade enorme de alterar comportamentos. Parece que tenho tido sonhos certos, com as pessoas erradas, ou sonhos errados com as pessoas certas...
Será possível continuar e ignorar os sonhos, ou devo pensar que sonhei-os por alguma razão e não os posso ignorar. E devo pensar que a razão pela qual tive aqueles sonhos foi simplesmente porque eram coisas que queria esquecer, ou porque são coisas que tiveram importância e não as devo ignorar.
Será por isso que não quero ir dormir, tenho medo de sonhar, não deveria ser bom? Porque, por um lado estes sonhos são bons, despertam bons sentimentos, mas quando me lembro que os tive e reflicto sobre eles já não é tão bom, ou porque as pessoas estão trocadas, ou porque sei que são coisas que não vão acontecer...

domingo, janeiro 09, 2005


eu Posted by Hello

quinta-feira, janeiro 06, 2005

22

I'm twenty-two don't know what i'm supposed to do
or how to be to get some more out of me
I'm twenty-two so far away from all my dreams
I'm twenty-two, twenty-two feeling blue

Afraid that i will be weak forever
I can't stay in this shape any longer
my life's just another cliché

millencolin

Sou sozinha

Passou mais um ano, é altura de fazer uma introspecção, de me aperceber de quem sou, como estou, quem me rodeia e o que quero alterar na minha vida. Estou sozinha apesar de ter imensa gente à minha volta, sou sozinha, tenho de aprender a viver com isso, deixar de pensar que é só uma fase passageira. No fundo todos somos sozinhos, muitas vezes temos alguém tão próximo de nós que nos sentimos maiores, mais acompanhados, mais amados. Temos necessidade de partilhar, de dar, de receber, de cuidar e ser cuidado, de rir e fazer rir, de ser feliz. Mas agora não, agora sou sozinha...